A celulite na mulher

O tecido dermo-hipodérmico do corpo feminino é particularmente receptivo à patologia celulítica. Existe, de facto, uma grande afinidade devido à água, mas também devida aos resíduos azotados, que têm tendência para a retenção por causa das características particulares do metabolismo feminino.

Os componentes essenciais deste tecido são os mucopolissacarídeos, açúcares complexos especiais, tanto mais ávidos de água quanto mais polimerizados, isto é, orientados em longas cadeias; um deles, o ácido hialurónico, condicionado pelas hormonas ováricas, pode reter uma enorme quantidade de água.

A influência das hormonas femininas na instauração do processo celulítico não se limita à retenção hídrica por acção dos estrógenos; qualquer alteração de equilíbrio entre estes últimos e os progestógenos influi pesadamente nas funções circulatórias, neurovegetativas e neuropsíquicas do organismo.

Isto acontece sobretudo coincidindo com determinadas fases da vida sexual, consideradas já autênticos «períodos de risco celulítico». A súbita manifestação da doença nestes períodos está relacionada com uma particular fragilidade do organismo, agora mais indefeso para reagir aos factores negativos.

O período de desenvolvimento

No termo da adolescência, entre os 12 e os 14 anos, verifica-se no organismo feminino uma espécie de confusão física e psíquica que o torna extremamente frágil e sem reacção.

As alterações mais visíveis são:

  • variações na estrutura corporal e na estrutura de determinados tecidos, bem como um aumento da gordura e uma maior retenção hídrica nas ancas e nas pernas;
  • hiperemotividade e fragilidade de humor, associada à precariedade passageira do equilíbrio neurovegetativo e humoral.

Trata-se de modificações relacionadas com a acção dos estrógenos, as hormonas segregadas pelos ovários, que actuam de forma pouco controlada porque ainda não são regularmente bloqueadas pelos seus antagonistas progestógenos.

Nesta fase, basta que o peso aumente ligeiramente e que se use vestuário demasiado apertado, para que imediatamente apareçam, por baixo dos pontos onde as roupas apertam, as ditas «almofadinhas», muitas vezes acompanhadas pelas típicas «estrias do desenvolvimento».

A influência do ciclo menstrual

Na mulher, a sucessão dos ciclos menstruais, mesmo quando se apresentam absolutamente regulares, favorece a implantação e a progressão da celulite. O risco de aparecimento e de desenvolvimento da celulite é no entanto maior se a sucessão dos ciclos não for perfeitamente regular.

A tendência para a retenção hídrica no panículo adiposo (ou seja, no tecido subcutâneo) das ancas e das pernas verifica-se sobretudo na primeira fase do ciclo, isto é, no período ovulatório, sempre devido à acção preponderante das hormonas estrogénicas.

A gravidez

A gravidez é outro período da vida sexual feminina favorável ao surto da celulite ou ao seu agravamento.

Os primeiros meses de gravidez são geralmente caracterizados por uma acção harmónica das hormonas femininas, a que corresponde um bom andamento de todas as funções.

Assiste-se sucessivamente à predominância da secreção foliculínica, cuja acção é indispensável para tornar os tecidos e os órgãos abdominais adaptáveis às variações de volume do útero, típicas do período de gestação. O consequente aumento de líquidos, porém, aumenta a possibilidade de alguns factores típicos do período de gravidez se tornarem causa da celulite.

Tais factores são os seguintes:

  • o aumento de peso, para além do fisiológico;
  • o sedentarismo;
  • o uso de cintas abdominais de gravidez;
  • a estase venolinfática relacionada com o aumento de volume do útero;
  • a obstipação, de fácil agravamento na gravidez.

Dieta Anti-Celulite

Recomendações importantes:

O seu exagerado do sal pode contribuir para a formação de celulite. É muito importante, portanto, que a ingestão de sal seja restringida o mais possível, para facilitar a eliminação dos líquidos. Isso significa não só evitar salgar demais os alimentos naturalmente salgados, como anchovas, picles, bacon etc.

Já a água é fundamental na luta contra a celulite. Quanto mais água você tomar, tanto mais ativos serão os seus rins na limpeza de seu corpo, eliminando os resíduos pela urina. Sua dose diária de água deve ser de seis a oito copos, sempre tomados entre as refeições.

Um de seus maiores aliados na luta contra a celulite é o iodo. Ela é a matéria-prima que dá energia à tireóide, a glândula que determina o índice do processo metabólico que queima o alimento para transformá-lo em energia. Essa combustão é importante porque qualquer alimento que não seja queimado de maneira apropriada pode acabar sendo armazenado como gordura indesejável, levando à celulite. Muitos alimentos deliciosos são ricos em iodo. Tente incluí-los regularmente na dieta: alcachofra, agrião, alface, alho, aspargo, arroz integral, banana, batata, cebola, cenoura, ervilha, espinafre, frutos do mar, gema de ovo, morango, nabo, pêra, repolho, tomate, uva, vagem.

Café da manhã

  • 1 fruta fresca
  • 1 ou 2 ovos pochê
  • Café

Às 10 horas

  • 1 fruta fresca ou 1 copo de suco de frutas

Almoço

  • Legumes crus: cenoura, salsão, pepino, tomate, rabanete ou outros.
  • 1 salada completa, queijo, iogurte.

Lanche da tarde (apenas se você sentir fome).

  • 1 fruta ou 1 copo de suco de frutas.

Jantar

  • Legumes crus como no almoço.
  • Carne, peixe ou frango cozido ou assado.
  • Legumes cozidos, salada de folhas.
  • Fruta fresca

O vestuário inapropriado

Muitas peças de vestuário feminino são uma fonte de danos para o organismo. Na sua origem, o vestuário tinha uma função de defesa e de protecção, função a que, pouco a pouco, se acrescentaram ou substituíram motivações estéticas, sociais e comerciais. Por intermédio do vestuário afirma-se a pertença a determinado grupo social – ou, ao contrário, a sua contestação -, procura-se aprovação ou admiração, pretende-se conquistar alguém.

Profundas exigências estéticas e económicas fazem com que a pele, em vez de ser protegida, sofra as piores consequências negativas da moda ou mesmo de opções estéticas pessoais; e é o factor mecânico, sob a forma de compressão ou de distensão, que produz os danos mais graves que irão facilitar a formação da celulite.

A roupa interior pode também ser causa de danos importantes; independentemente do tipo de tecido, mais ou menos higiénico, prejudica sobretudo quando aperta, tornando-se um obstáculo à circulação. Isso acontece nas coxas, com o elástico das cuecas; nas virilhas, pela compressão do body esticado pelas alças; nos ombros, pelas alças do sutiã, que «vincam» a pele.

Por cima da linha de compressão aparecem, devido à estase da circulação venosa e linfática, as típicas acumulações de celulite.

Dos fatos de banho muito apertados resultam consequências análogas, com a agravante de serem utilizados ao sol: o calor provoca a dilatação dos vasos sanguíneos, que depois têm dificuldade em se esvaziar devido ao aperto dos elásticos da indumentária.

Danos ainda mais graves podem provocar as cintas e os corpetes, utilizados às vezes para modelar a silhueta, para comprimir a musculatura descaída após uma gravidez ou para corrigir uma escoliose.

À parte a escassa utilidade terapêutica, todos estes meios de compressão são certamente causa de estase circulatória e de enfraquecimento de uma musculatura obrigada a completo repouso.

Pelo contrário, são úteis os colãs normais em vez das ligas, que criavam na coxa um sulco oblíquo com a correspondente «almofadinha» por baixo. Menos úteis revelam-se os colãs com elástico, ainda que «com pressão ajustável», pois a compressão contínua dos vasos sanguíneos e linfáticos faz-lhes perder a elasticidade, sem contar com a criação de zonas de compressão a vários níveis da perna, devido ao facto de a graduação da compressão serfrustrada pela forma da perna, diversa de pessoa pa ra pessoa.

Mais do que uma questão de moda, a utilização das calças de ganga constituiu uma questão de hábito a partir dos anos 50. Sobretudo nas primeiras décadas, usavam-se as calças de ganga extremamente justas, apertadas até ao exagero, a ponto de bloquearem completamente a circulação, em especial na posição de sentado.

Os danos ao nível das nádegas, das coxas e das virilhas afectaram duas gerações e ainda hoje se manifestam, embora a moda proponha actualmente peças menos justas; o que continua a provocar danos, especialmente em prolongada posição de sentado, são as pregas ao nível das virilhas e a compressão das nádegas, permanente e visível em posição de pé.