A cura das estrias

Nem sempre as estrias estão presentes na patologia celulítica; geralmente acompanham as «dmofadinhas» muito volumosas e são frequentes sobretudo na celulite localizada na parte lateral das coxas e nas nádegas, durante o período de desenvolvimento.

Para eliminá-Ias no estádio inicial e para formas cicatriciais já estabilizadas utilizam-se diversas técnicas.

Quanto às formas iniciais, podem eliminar-se os factores locais de estase da circulação sanguínea e linfática mediante tratamentos de balneoterapia ozonizada e repetidas sessões de laserterapia com hélio-néon ou infravermelhos.

A eliminação da tensão cutânea e a acção do laser e do ozono, que favorecem a nutrição dos tecidos, permitem a completa recuperação cutânea.

Quanto às formas já cicatrizadas, é útil a «dermo-abrasão suave»: uma espécie de alisamento dos contornos das estrias através de um jacto de cristais de corindo, finamente pulverizados, borrifados por um sofisticado aparelho que permite eliminar as camadas superficiais da cicatriz.

A formação de novas camadas, que proliferam da camada profunda germinativa da epiderme lesionada, tem como efeito a «cobertura» da estria, que deixará de ser visível; a cura completa requer, em média, pelo menos uma dezena de sessões.

Como se formam as «almofadinhas»?

O processo celulítico tem a sua origem em casos de estase sanguínea e linfática que se verificam no aparelho tegumentário de sectores específicos do organismo.

A alteração final daí resultante passa por modificações sucessivas que podemos agrupar em quatro estádios.

Estádio congestivo

É o estádio a que correspondem os primeiros episódios de congestão venosa e linfática, com oxigenação insuficiente e difícil drenagem do líquido intersticial: derme e hipoderme são inundadas pelo líquido (formação de edema), ao mesmo tempo que as paredes dos lóbulos adiposos se adelgaçam e os adipócitos neles contidos aumentam de volume.

Estádio exsudativo infiltrativo

As fibras que rodeiam os lóbulos adiposos da hipoderme separam-se por falta de oxigénio e por causa do edema. A epiderme de superfície, também ela mal irrigada, adelgaça-se e desidrata-se.

Estádio organizativo-fibroso

A desagregação implica a estrutura cutânea, desde a epiderme ao tecido subcutâneo, cujos lóbulos adiposos deixam de ser reconhecíveis; as fibras conjuntivas dissociadas englobam células e vasos, impedindo a sua função. À apalpação, notam-se micronódulos e macronódulos em profundidade, enquanto a superfície da pele assume o aspecto característico de «casca de laranja».

Estádio cicatricial

O tecido conjuntivo dermo-hipodérmico torna-se cada vez mais espesso e evolui para a esclerose, encerrando células e vasos numa mordaça dissolvida. Torna-se cada vez mais evidente o aspecto da pele «casca de laranja» ou «colchão».

A hipoderme ou tecido subcutâneo

É a camada mais profunda da cútis, destinada a funções de protecção e de reserva energética; de facto, contém os adipócitos, elementos celulares com pequenos espaços interiores preparados para se encherem de gordura.

Os adipócitos estão agrupados em lóbulos, isto é, em conjuntos separados por finíssimas paredes de tecido conjuntivo, que contêm fibras de colagénio e capilares sanguíneos e linfáticos:

As estruturas da hipoderme são as mais directamente envolvidas no desenvolvimento do processo celulítico.

Para desenvolver todas as suas importantes funções (protectoras, metabólicas, secretoras, sensitivas e informativas), o aparelho tegumentário serve-se de delicadas interconexões, dependentes do sistema neuroendócrino.

Para a transmissão das informações são utilizados metabólitos específicos, de natureza polipeptídica, que funcionam quer como transmissores de sinais, quer como receptores específicos dos tecidos.

Através de uma perfeita sintonia de sistemas ordenados de reacção, os diversos componentes do aparelho tegumentário mantêm o seu equilíbrio e adequam o seu comportamento, adaptando-o às diversas situações e condições verificadas.

É óbvio que qualquer alteração anatómico-funcional num sector acaba por comprometer imediatamente todo o conjunto: é o que acontece com a celulite.

Complicações e fenómenos colaterais

A patologia celulítica faz-se por vezes acompanhar de algumas enfermidades cutâneas, que constituem um elemento típico, de utilidade para o diagnóstico.

Apesar de não fazerem directamente parte da doença, vale a pena tomá-Ias em consideração, devido aos prejuízos que causam à estética da pessoa e às consequências psicológicas que obviamente as acompanham.

Trata-se das estrias e das telangiectasias (os chamados «capilares sanguíneos») que aparecem nas ancas e nas pernas, juntamente com as «almofadinhas» celulíticas.

As estrias

São a consequência de uma laceração interna da pele, sujeita a uma distensão muito rápida ou demasiado contínua; frequentes na gravidez e na obesidade de grau elevado, podem acompanhar o aparecimento das «almofadinhas» celulíticas.

São típicas no sexo feminino, durante o período de desenvolvimento, nas zonas que mais crescem: sobretudo as ancas, as pernas, os seios e as nádegas.

Nas ancas, surgem sob a forma de cicatrizes lineares verticais; no seio, aparecem dispostas em forma de raios em volta da aréola.

Para as prevenir e tratar com eficácia é importante detectá- las no período inicial, antes de ocorrer a laceração da cútis. Um alerta do seu aparecimento é representado por um colorido violáceo difuso em zonas sujeitas a uma tracção excessiva; é indício de um problema inicial de cútis; mediante uma intervenção neste estádio, é possível interromper o processo e conseguir a cura completa.

Se, pelo contrário, não se detiver a distensão, o tecido começa lentamente a rasgar-se. O aparecimento das típicas estrias esbranquiçadas assinala o fim do processo de laceração e da consequente cicatrização: neste ponto, as intervenções de prevenção já não surtem efeito e mesmo as de reparação, baseadas na redução da quantidade de líquido presente nos tecidos e na utilização do laser, já não são eficazes.

Uma vez formadas as cicatrizes, a intervenção mais eficaz é a dermo-abrasão suave, que consiste em repetidas sessões de alisamento da pele por meio de um aparelho que opera com um jacto finíssimo de microcristais: as novas células epidérmicas, produzidas para reparar as perdas, irão recobrir perfeitamente também as cicatrizes.

Os chamados «capilares»

Quando os capilares, os mais pequenos vasos sanguíneos que irrigam os tecidos periféricos, se rompem, surgem as denominados telangiectasias. Normalmente, os capilares não são visíveis, mas passam a sê-lo se se dilatarem, porque um obstáculo diminui o fluxo sanguíneo no seu interior; aparecem então mais pronunciados, com um colorido que vai do vermelho ao azul e estendem-se, entrançados ou paralelos entre si, por cima do obstáculo que provocou o seu aparecimento.

Os capilares são muitas vezes acompanhados por «almofadinhas» celulíticas, mas não são provocados directamente por estas; muitas vezes, porém, resultam das mesmas causas de abrandamento de circulação que condicionam as «almofadinhas». Por conseguinte, é lógico que possam ser prevenidos eliminando as causas do abrandamento circulatório, prevenindo assim também a celulite: calças e roupa interior demasiado apertadas, meias, cintas, fatos de banho muito justos, etc.

Pelo contrário, se os capilares já se tornaram demasiado evidentes, podem eliminar-se injectando no seu interior, com uma agulha finíssima, uma mistura de oxigénio e ozono para estimular a proliferação celular do endotélio dos pequenos vasos (a camada mais interior), até obstruí-los totalmente.

Celulite e obesidade

Do ponto de vista clínico, e principalmente para sistematizo r uma adequada estratégia terapêutica, perante um aumento localizado do tecido adiposo é muito importante estabelecer se existe um envolvimento celulítico.

É possível fazê-lo, tendo em conta algumas diferenças essenciais entre a obesidade localizada e a celulite:

  • a obesidade atinge todas as zonas do organismo que contenham células adiposas; a celulite atinge apenas, de forma simétrica, determinadas zonas da pele;
  • a obesidade afecta apenas as células adiposas; a celulite afecta, sobretudo, o tecido conjuntivo e só depois as células adiposas; .a celulite pode aparecer também em pessoas magras;
  • a obesidade é sensível a curas de emagrecimento; a celulite só é por elas marginalmente influenciada;
  • a gordura tem uma consistência uniforme; o tecido celulítico, quando apalpado, apresenta nódulos grandes ou pequenos; .a gordura normal tem uma temperatura uniforme, igual à do tecido não gordo; as «almofadinhas» celulíticas possuem uma temperatura mais baixa do que a das zonas circundantes;
  • a pele que reveste um depósito de gordura é lisa e elástica; a superfície da «almofadinha» celulítica é pouco elástica e apresenta ondulações, irregularidades e o aspecto de «casca de laranja»;
  • no tecido adiposo, a quantidade de água é normal; na «almofadinha» celulítica, a quantidade de água é sempre maior do que a normal, até ao edema.