Outros factores favoráveis e desencadeantes

A celulite pode ser favorecida, mais ou menos directamente, por um conjunto de inúmeros factores, internos ou externos ao organismo, que quase nunca actuam isoladamente, mas muitas vezes concorrem com outros para se atingir o limite desencadeante.

Passemos agora a examinar esses factores um por um, procurando evidenciar para cada um deles o mecanismo de acção e a importância que tem na provocação ou no agravamento da doença. Um bom conhecimento de todos estes factores pode facilitar a sua prevenção e o seu tratamento.

Os erros alimentares

O bem-estar generalizado e o elevado nível económico das sociedades ocidentais têm certamente resolvido os problemas relacionados com a carência de alimentos, mas têm levado a um considerável aumento dos erros de alimentação.

A maior parte da população come demais (devido a uma educação errada) ou demasiado pouco (por opção própria) e quase sempre de forma errada, adquirindo assim algumas disfunções fundamentais que facilitam a predisposição para a celulite ou até a desencadeiam. Numa óptica de prevenção e de cuidados, vejamos quais seria essencial corrigir:

  • alimentação em quantidade excessiva, com demasiadas calorias, que está na base do excesso de peso e de uma sobre-carga da função depurativa do fígado e dos rins;
  • consumo de proteínas animais em quantidade muito superior às vegetais, que são, em contra partida, mais bem toleradas e mais facilmente assimiláveis pelo organismo;
  • consumo de alimentos refinados e, por conseguinte, pobres em minerais, oligoelementos e vitaminas (farinha sem farelo, açúcar branco, ete.);
  • reduzido consumo de fibras vegetais, indispensáveis para as funções intestinais;
  • utilização de produtos alimentares conservados com métodos não naturais e com toda a espécie de aditivos;
  • consumo de produtos vegetais produzidos fora da época e amadurecidos artificialmente;
  • consumo de alimentos pobres em vitaminas e em fitofermentos devido a processos extremos de cozedura e esterilização;
  • uso impróprio de complementos alimentares (como vitaminas e oligoelementos) com efeitos frequentes de desequilíbrio ou sobredosagem;
  • escasso consumo diário de água, elemento indispensável para os processos metabólicos e de desintoxicação.

Os efeitos negativos para a celulite produzidos pelos erros alimentares são agravados pelo abuso das «pequenas drogas» domésticas, ou seja, o café, o chá e o álcool.

A obesidade

O excesso de peso predispõe para a celulite, o que não está em contradição com o facto de pessoas muito magras também poderem ser afectadas por esta doença.

A obesidade actua através de diversas formas:

  • a tendência da pessoa obesa para não executar actividades físicas;
  • a existência de um abrandamento geral da circulação e de afrouxamentos locais, particularmente nos membros;
  • a tendência para se sentar, mover e trabalhar em posições erradas;
  • a reduzida actividade respiratória por se tornar difícil comprimir o diafragma sobre a massa intestinal, cheia de gordura;
  • a relação da gordura com as hormonas ováricas, de tal maneira que o seu excesso provoca muitas vezes na mulher disfunções ováricas e menstruais;
  • a sensação de inferioridade e de frustração que muitas vezes aflige o obeso e lhe deprime ulteriormente o equilíbrio metabólico;
  • a alteração do tecido conjuntivo hipodérmico que muitas vezes se verifica na mulher obesa, comprometendo a microcirculação local.

Predisposição e causas da celulite

É certo que a celulite depende de uma vasta gama de factores, que, combinados entre si das mais variadas formas, actuam para modificar em sentido patológico algumas zonas do organismo.

Os factores predisponentes abrangem todas as condições que constituem um bom pressuposto para a implantação da patologia celulítica.

Os factores determinantes, actuando preferivelmente num terreno já predisposto, estão por si só em condições de dar origem ao processo celulítico.

Os factores desencadeantes são capazes não de provocar por si só a doença, mas de impulsionar decisivamente um processo já iniciado.

Na realidade, os critérios de distinção entre predisposição, determinação e desencadeamento são bastante ténues e um tanto diversos de indivíduo para indivíduo; muitas vezes, tudo depende da intensidade com que um dos factores exerce a sua acção num sentido ou noutro.

Por todos estes motivos, mais do que estabelecer classificações académicas e desprovidas de utilidade prática, julgamos importante a análise de tudo aquilo que a experiência demonstrou ter possibilidades de favorecer o processo celulítico; o grau de possível incidência deverá pois ser avaliado caso a caso. Ou seja, qualquer possível factor causal deverá ser considerado um «factor de risco celulítico»; competirá assim ao médico assistente propor a eliminação total ou parcial de cada um.

A tipologia individual

O facto de pertencer ao tipo humano europeu ou caucasiano (a chamada «raça branca») predispõe para a doença celulítica mais do que o facto de se pertencer aos tipos mongolóide («raça amarela») ou negróide («raça negra»), ainda que em relação a este último exista uma excepção notável: as afro-americanas, acostumadas há várias gerações a hábitos de alimentação e de vida completamente diferentes dos do seu continente de origem, estão sujeitas à doença tal como as mulheres de raça branca.

A maior predisposição verifica-se na população da bacia mediterrânica.

As mulheres originárias desta área, comparativamente às nórdicas, possuem algumas características físicas, hormonais e culturais que predispõem para a celulite:

  • estatura mais baixa e bacia mais larga;
  • maior desenvolvimento dos seios e das nádegas, o que acentua a lordose lombar;
  • desenvolvimento sexual mais precoce, ligado a uma acentuada tendência para o hiperestrogenismo (isto é, maior produção de estrogénios);
  • maior tendência para o sedentarismo, ligada a uma tradição de menor actividade física de tipo desportivo;
  • alimentação mais rica em farináceos (cereais e derivados) e mais pobre em proteínas.

Trata-se, evidentemente, de uma predisposição que não é válida em absoluto, quer pela tendência contínua para o nivelamento da alimentação, quer pelas deslocações da população, que são uma constante das últimas décadas.

A predisposição para a celulite de um determinado tipo humano está ligada tanto a características físicas como a condicionalismos neurovegetativos e endócrinos, presentes no ADN da célula.

O carácter familiar

É comum verificar-se a frequência de incidência de celulite em mulheres pertencentes a determinada linha familiar.

Além daquilo que é transmitido hereditariamente de mãe para filha, tem certamente importância, no âmbito do grupo familiar, a transmissão de atitudes e de hábitos alimentares, a actividade física, a forma de vestir e de se comportar, o que pode acentuar ou suavizar as próprias tendências hereditárias.

A constituição física

Além das particularidades corporais características do sexo, e em particular da já referida constituição mediterrânica, existem algumas anomalias físicas que podem predispor para a celulite. Entre estas últimas assumem particular importância o pé chato e o ioelho valgo.

Os ultra sons no combate à celulite

Os ultra-sons são ondas sonoras de frequencia superior às perceptíveis pelo ouvido humano. Normalmente, o ouvido capta os sons de frequência variável entre cerca de vinte e vinte mil hertzi as ondas sonoras utilizadas no tratamento da celulite têm uma frequência de três megahertz (três milhões de hertz).

Do aparelho que as produz, as ondas são levadas até às «almofadinhas» celulíticas através de placas fixadas na pele, ou então através de um manípulo que o terapeuta, durante toda a duração do tratamento, faz deslizar sobre a zona da «almofadinha», exercendo uma leve pressão.

Os ultra-sons penetram no interior da «almofadinha» celulítica e separam a membrana das células adiposas, favorecendo desta forma a eliminação de água e de gordura solta, que são reabsorvidas sobretudo por via linfática.

O tratamento, absolutamente indolor, dura cerca de dez minutos. Na estratégia do tratamento anticelulite, os ultra-sons (que, no entanto, mantêm a sua validade terapêutica), não são habitualmente utilizados sozinhos, mas como suporte de outros tratamentos:

  • combinados com o tratamento de electrolipólise integrada: se forem utilizados antes da implantação das agulhas e da passagem da corrente, maximizam os efeitos redutoresi
  • combinados com o tratamento de lipoaspiração: facilitam a extracção da gordura pela sonda.

A electrosmose

 

É um tratamento inovador no campo das terapias anticelulitei utiliza correntes eléctricas de baixa intensidade e alta frequência para fazer penetrar na profundidade da «almofadinha» produtos activos independentemente da sua natureza e do estado físico-químico (em solução oleosa ou aquosa, em creme ou em gel). A rapidez de penetração do preparado, que ocorre sem modificações de estrutura, permite terapias da máxima eficácia.

Os resultados da electrosmose dependem do tipo de produto utilizado e podem ser redutores do volume ou correctivos da estrutura: com os preparados adequados pode portanto utilizar-se esta terapia para qualquer tipo de celulite.

Os melhoramentos, visíveis após apenas algumas sessões, estão também relacionados com alguns efeitos específicos da corrente eléctrica:

  • melhor irrigação local pela vasodilataçãoi
  • maior permeabilidade da membrana celular e, portanto, maiores trocas com o exteriori
  • melhor trofismo celular devido ao aumento da drenagem dos resíduos.

Outras vantagens relacionadas com este método de trata-mento são:

  • mais rápida acção do produto, que actua todo ele localmente,
  • sem dispersõesi
  • nenhum envolvimento de outras estruturas do organismo que não necessitam do fármaco.

A electrosmose está particularmente indicada para consolidar o tecido cutâneo relaxado pelas celulites moles em áreas específicas do corpo (parte interior das coxas, zona inguinal, abdómen e parte posterior do braço).

A laserterapia

É característica do raio laser a capacidade de penetração_ nos tecidos, com uma intensidade variável, conforme os tipos. Enquanto os laser de árgon ou de óxido de carbono são extremamente penetrantes, a ponto de trespassarem o metal, os de anidrido carbónico são-no muito menos, e com a possibilidade de cauterizarem os tecidos com fins cirúrgicos.

O laser dermatológico de hélio-néon ou de anidrido carbónico, utilizado para o tratamento da celulite, consegue apenas atravessar a superfície da pele, exercendo uma acção fisiológica de estímulo, sem provocar lesões de espécie alguma. A estimulação das estruturas implicadas na celulite tem como efeito a activação do metabolismo celular e da substituição hidroelectrolítica, com maior eliminação dos produtos residuais locais.

A laserterapia anticelulite pode ser aplicada directamente nas zonas celulíticas ou então nos nódulos linfáticos.

À superfície da «almofadinha» celulítica, aplicações bissemanais de cerca de dez minutos nas implantações de «celulite mole» permitem atenuar o aspecto de «casca de laranja» e reduzir as retenções de líquido; as aplicações sobre a superfície de uma celulite dura diminuem rapidamente a reacção dolorosa ao contacto.

Utilizada nas estações de gânglios linfáticos satélites (nódulos linfáticos), que impedem o fluir da linfa criando retenções de líquido, a laserterapia favorece o desbloqueamento circulatório.