A estase circulatória

Qualquer abrandamento do fluxo de retorno venoso e linfático favorece a implantação da celulite.

As zonas mais predispostas são a base dos membros superiores e inferiores e as ancas; as zonas menos atreitas são os tornozelos, os joelhos, o abdómen e a região cervical.

Nestas partes do corpo, o que actua é geralmente um factor de compressão contínua exercida por peças de vestuário inadequadas. Já anteriormente mostrámos em detalhe os efeitos negativos das calças de ganga, fatos de banho, corpetes, bodies e cintas de aperto; eliminar a sua acção, deixando fluir livremente a corrente sanguínea e linfática, é uma premissa indispensável de qualquer tratamento.

O mesmo se pode afirmar em relação ao calçado que dificulta a marcha, mantendo os pés em posições incorrectas, particularmente sapatos pontiagudos e com os saltos demasiado altos.

Além da compressão, outras causas de estase circulatória são muitas vezes as posturas incorrectas do corpo.

Uma postura defeituosa da coluna vertebral, com posições de cifose ou de lordose (excessiva curvatura posterior ou anterior), pode criar zonas de tensão muscular com os correspondentes afrouxamentos da circUlação local; estes defeitos eliminam-se com uma ginástica que reforce os músculos hipotónicos e relaxe os contraídos.

Em determinados casos, como acontece com a lordose lombar que serve para reequilibrar o peso de uma barriga volumosa, não existe outra solução senão emagrecer.

Muitos defeitos de posturo, relacionados com o tipo de -trabalho ou com maus hábitos muito antigos, podem eliminar-se com a ginástica correctiva. Outros defeitos de posição da coluna vertebral podem ser eliminados utilizando um simples e utilíssimo aparelho, o pancafit®, que consegue reordenar as curvaturas vertebrais relaxando os músculos contraídos.

Por último mas não menos importante, como factores de abrandamento geral da circulação, o sedentarismo e a inactividade física. É indispensável combatê-los com práticas físicas adequadas à idade e às potencialidades individuais, sem cair no excesso de exercício, que por sua vez representa um factor negativo para a celulite.

A cura das estrias

Nem sempre as estrias estão presentes na patologia celulítica; geralmente acompanham as «dmofadinhas» muito volumosas e são frequentes sobretudo na celulite localizada na parte lateral das coxas e nas nádegas, durante o período de desenvolvimento.

Para eliminá-Ias no estádio inicial e para formas cicatriciais já estabilizadas utilizam-se diversas técnicas.

Quanto às formas iniciais, podem eliminar-se os factores locais de estase da circulação sanguínea e linfática mediante tratamentos de balneoterapia ozonizada e repetidas sessões de laserterapia com hélio-néon ou infravermelhos.

A eliminação da tensão cutânea e a acção do laser e do ozono, que favorecem a nutrição dos tecidos, permitem a completa recuperação cutânea.

Quanto às formas já cicatrizadas, é útil a «dermo-abrasão suave»: uma espécie de alisamento dos contornos das estrias através de um jacto de cristais de corindo, finamente pulverizados, borrifados por um sofisticado aparelho que permite eliminar as camadas superficiais da cicatriz.

A formação de novas camadas, que proliferam da camada profunda germinativa da epiderme lesionada, tem como efeito a «cobertura» da estria, que deixará de ser visível; a cura completa requer, em média, pelo menos uma dezena de sessões.

A celulite na mulher

O tecido dermo-hipodérmico do corpo feminino é particularmente receptivo à patologia celulítica. Existe, de facto, uma grande afinidade devido à água, mas também devida aos resíduos azotados, que têm tendência para a retenção por causa das características particulares do metabolismo feminino.

Os componentes essenciais deste tecido são os mucopolissacarídeos, açúcares complexos especiais, tanto mais ávidos de água quanto mais polimerizados, isto é, orientados em longas cadeias; um deles, o ácido hialurónico, condicionado pelas hormonas ováricas, pode reter uma enorme quantidade de água.

A influência das hormonas femininas na instauração do processo celulítico não se limita à retenção hídrica por acção dos estrógenos; qualquer alteração de equilíbrio entre estes últimos e os progestógenos influi pesadamente nas funções circulatórias, neurovegetativas e neuropsíquicas do organismo.

Isto acontece sobretudo coincidindo com determinadas fases da vida sexual, consideradas já autênticos «períodos de risco celulítico». A súbita manifestação da doença nestes períodos está relacionada com uma particular fragilidade do organismo, agora mais indefeso para reagir aos factores negativos.

O período de desenvolvimento

No termo da adolescência, entre os 12 e os 14 anos, verifica-se no organismo feminino uma espécie de confusão física e psíquica que o torna extremamente frágil e sem reacção.

As alterações mais visíveis são:

  • variações na estrutura corporal e na estrutura de determinados tecidos, bem como um aumento da gordura e uma maior retenção hídrica nas ancas e nas pernas;
  • hiperemotividade e fragilidade de humor, associada à precariedade passageira do equilíbrio neurovegetativo e humoral.

Trata-se de modificações relacionadas com a acção dos estrógenos, as hormonas segregadas pelos ovários, que actuam de forma pouco controlada porque ainda não são regularmente bloqueadas pelos seus antagonistas progestógenos.

Nesta fase, basta que o peso aumente ligeiramente e que se use vestuário demasiado apertado, para que imediatamente apareçam, por baixo dos pontos onde as roupas apertam, as ditas «almofadinhas», muitas vezes acompanhadas pelas típicas «estrias do desenvolvimento».

A influência do ciclo menstrual

Na mulher, a sucessão dos ciclos menstruais, mesmo quando se apresentam absolutamente regulares, favorece a implantação e a progressão da celulite. O risco de aparecimento e de desenvolvimento da celulite é no entanto maior se a sucessão dos ciclos não for perfeitamente regular.

A tendência para a retenção hídrica no panículo adiposo (ou seja, no tecido subcutâneo) das ancas e das pernas verifica-se sobretudo na primeira fase do ciclo, isto é, no período ovulatório, sempre devido à acção preponderante das hormonas estrogénicas.

A gravidez

A gravidez é outro período da vida sexual feminina favorável ao surto da celulite ou ao seu agravamento.

Os primeiros meses de gravidez são geralmente caracterizados por uma acção harmónica das hormonas femininas, a que corresponde um bom andamento de todas as funções.

Assiste-se sucessivamente à predominância da secreção foliculínica, cuja acção é indispensável para tornar os tecidos e os órgãos abdominais adaptáveis às variações de volume do útero, típicas do período de gestação. O consequente aumento de líquidos, porém, aumenta a possibilidade de alguns factores típicos do período de gravidez se tornarem causa da celulite.

Tais factores são os seguintes:

  • o aumento de peso, para além do fisiológico;
  • o sedentarismo;
  • o uso de cintas abdominais de gravidez;
  • a estase venolinfática relacionada com o aumento de volume do útero;
  • a obstipação, de fácil agravamento na gravidez.